Dani no Divã #18 – 23/08/2025
Voltei da Áustria…
Dia 12 de maio deste ano de 2025 eu pisei pela primeira vez na Áustria, terra em que nasceram minha mãe e meu avô materno.
É claro que eu esperava que ficaria mexida emocionalmente, mas jamais poderia imaginar que acessaria conteúdos tão profundos e viscerais.
Assim que cheguei em Viena, senti meu corpo acessando conteúdos desconhecidos. Comecei a ficar com dor de cabeça, dor no corpo, um mal-estar generalizado, enjoo e alguns sintomas no fígado, que é meu segundo órgão de choque, aquele que mais facilmente somatiza as questões emocionais. Até os meus 30 anos era o pulmão, mas desses assuntos já fui completamente curada.
Tomei um banho quente e dormi umas 16 horas. Tive uma madrugada inominável, tocando sentimentos do calabouço ancestral, inclusive ficando cara a cara com o espírito da loucura, a ponto de acordar meio delirando de febre e não saber exatamente onde eu estava, completamente dominada por um medo paralisante.
Fui conseguir comer só no terceiro dia e fiquei imersa nesses conteúdos ancestrais que misturavam uma força indescritível, um medo gélido e uma austeridade que compõe meus ossos, mas que eu sempre rejeitei por ter sido um aspecto que me feriu muito na minha mãe.
Consegui elaborar minimamente a experiência e segui viagem, mas sabia que uma parte significativa da minha alma não tinha voltado comigo.
A alma precisa de tempo para elaborar conteúdos profundos.
Algumas mulheres demoram muitos anos para sair do puerpério, outras nunca saem. Assim também acontece com divórcios, abortos e traumas. Algumas mulheres nunca mais se recuperam, e uma porcentagem importante da alma permanece ali, tentando e tentando elaborar aquele conteúdo.
Por que isso acontece? Pela falta de conhecimento sobre como funciona seu feminino profundo. Muitas mulheres não são amigas de suas almas.
Sabe aquela amiga que você conhece só no olhar, que entende o seu timing, as defesas, os medos, a ponto de antever uma reação sua?
Temos que ser assim com nosso feminino profundo. É somente nessa amizade que conseguimos permanecer conectadas com sentimentos que não entendemos, que são desconfortáveis, desconhecidos e desagradáveis.
Quem quer ficar perto disso sem saber quando vai acabar? Só quem ama de verdade. E é isso que conquistamos quando curamos nossa relação com nosso feminino: amor-próprio, a ponto de nos dar o tempo que precisamos, confiando que vamos emergir fortalecidas, mesmo que a gente não saiba como.
É como se disséssemos para a nossa alma: “Tá tudo bem, amiga. Leve o tempo que você precisar, eu estou aqui. Vai dar tudo certo!”
Foi isso que disse para a minha alma, e permaneci ali, conectada a ela, assistindo por seus efeitos e sabendo que as coisas lá no profundo do oceano não deviam estar muito fáceis. Afinal, desde a Áustria engordei três quilos, voltei a comer açúcar diariamente, abandonei minhas práticas de yoga, estava mais ensimesmada e meus sonhos pareciam um feed de reels aleatórios. Mas ok, seguimos.
Começamos as dinâmicas do Casamento no Divã, e o elevador começou a descer. E não parava nunca mais de descer. Eu pensei: “Gentiiiiii, não tem nada que esteja tão ruim que não possa piorar, não é mesmo!”
Sabe quando você toca aqueles assuntos dentro de você que te fragilizam de tal maneira que parece até que te paralisam, ou que você vai se desfazer?
Pois então, esse era o combo Áustria + Casamento no Divã dentro de mim. Mas, inesperadamente, o que aconteceu foi demais.
O elevador desceu até o profundo do oceano, onde minha alma se encontrava e, no fundo, não sabia como voltar. Mas aí, meu marido, que tinha descido no elevador comigo, abriu a porta, me pegou no colo e me trouxe de volta. Simples assim.
E mais uma vez, sem nem perceber, ele foi meu resgatador. Três meses e meio depois, voltei da Áustria, não de avião, mas de colo.
Voltei para ele, sendo ainda mais dele.
Voltei para mim, sabendo mais de mim.
Voltei para a yoga, respeitando mais o saber do meu corpo.
Voltei mais inteira e comportando uma medida maior de tudo o que me constitui.
Voltei mais corajosa também, como quem adquiriu mais experiência para mergulhar em mares desconhecidos.
Um beijo,
Dani